domingo, 30 de maio de 2010

As mudanças no cotidiano docente das classes iniciais do ensino fundamental

A contemporaneidade e a globalização incitam a atualização da teoria e prática escolar, principalmente no que diz respeito a comunicação, que encontra sua base nos anos iniciais do ensino fundamental, que vem enfrentando mudanças de ordem social e cultural e desafia a todos os professores diante de sua atuação na dinâmica institucional.
A ação pedagógica do professor debruça-se em um contexto que é determinado por diversos componentes: estrutura organizacional da escola, aparato legal, valores sociais e culturais, estrutura curricular, desempenho e inter-relacionamentos, fatores que devem ser levados em consideração para o entendimento da ação do mesmo, diante do grau de liberdade que possui para tomar decisões e desenvolver seu trabalho.
Além desta perspectiva e como mediador do processo de ensino-aprendizagem, o professor dos anos iniciais do ensino fundamental é desafiado a todo instante pelos processos de comunicação no que tange a alfabetização e letramento e pelos constantes desafios políticos, sociais e comportamentais que permeiam a sociedade, devendo atuar veementemente na construção do projeto político pedagógico, uma vez que o mesmo bem elaborado, construído coletivamente e democraticamente por representantes de todos os segmentos da comunidade escolar, torna-se o principal aliado, e possibilita a escola a cumprir sua função de instância socializadora do saber.
O exercício da responsabilidade por parte do professor precisa ser partilhado, pois o ato de educar não é isolado e lacônico, mas comunitário, coletivo, atividade correlata e intersubjetiva, devendo ter um olhar político e social mais significativo acerca dos anos iniciais do ensino fundamental, uma vez que encontramos a segunda etapa da educação básica como etapa fundamental e desafiadora para o prosseguimento da vida escolar e em sociedade.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

SALVADOR FELIPE JACINTO DALÍ I DOMÉNECH – VIDA E OBRA – BREVE HISTÓRICO

"Sem audiência, sem a presença de espectadores, essas jóias não iriam cumprir a função para a qual anseei. O espectador, então, é o melhor artista."


As excentricidades e declarações provocadoras fizeram de Salvador Dalí uma das mais polêmicas figuras da arte contemporânea, mas não impediram que sua obra fosse reconhecida como uma das mais audaciosas e apuradas da pintura surrealista.
Salvador Dalí, nasceu em 11 de maio de 1904, no número vinte da carrer Monturiolin da vila de Figueres, Catalunha, Espanha. Desde cedo revelou talento para o desenho e em 1921 o pai, um tabelião, mandou-o para Madri, para estudar na escola de Belas-Artes de San Fernando, da qual seria expulso anos depois declarando que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar. Dalí chamava a atenção nas ruas com um excêntrico cabelo comprido, um grande laço ao pescoço, calças até o joelho, meias altas e casacos compridos.
O que lhe possibilitou maior atenção, foram quadros com registros de experiências com o Cubismo. Fez também experiências com o Dadaísmo, que provavelmente influenciou todo o seu trabalho.
Na capital espanhola conheceu o cineasta Luis Buñuel e tornou-se amigo intimo de Federico Garcia Lorca. Suas primeiras obras, como “Moça à janela”, enquadradas numa linha naturalista e minuciosa, já produziam uma ambígua sensação de irrealidade, que se acentuaria posteriormente.
Em 1928, persuadido pelo pintor catalão Joan Miró, transferiu-se para Paris e aderiu ao movimento surrealista e em agosto, conheceu a sua musa e futura esposa, Gala Éluard ( nome verdadeiro – Elena Ivanovna Diakonova, nascida em Kazan, Tartária, Rússia).
Colaborou então com Buñuel em dois filmes célebres, Um Chien andalou ( Um cão andaluz) e L’Âge d’or ( A idade do ouro) e pintou algumas de suas melhores obras: “A persistência da memória” e “O grande masturbador”.
Sua exposição de 1933 lhe trouxe fama internacional e Dalí lançou-se, então, a uma vida social repleta de provocações e excentricidades. Essa atitude, por alguns considerada mistificadora e venal, aliada a uma postura apolítica, provocou sua expulsão do grupo surrealista. Durante esse período, adotou o “método de interpretação paranóico-crítico”, baseado nas teorias da psicanálise, associando elementos delirantes e oníricos numa linguagem pictórica realista, com freqüentes imagens duplas e objetos do cotidiano, como em “Construção mole com ervilhas cozidas”, “Praia com telefone”, “Premonições da guerra civil”, Canibalismo de outono” e “O sono”.
Durante a segunda guerra mundial, Dalí radicou-se nos Estados Unidos, perto de Hollywood, e colaborou em alguns filmes. No final da década de 1940, regressou a Espanha e deu início a uma fase inspirada em obras-primas de pintores do passado, como “A última ceia”, de Leonardo da Vinci, “As meninas”, de Velásquez, “Ângelus”, de Millet, “A batalha de Tetuan”, de Meissonier, e “A rendeira”, de Vermeer de Delft – seu pintor favorito.
Posteriormente, alternou a pintura com o desenho de jóias e a ilustração de livros. Enquanto isso, sucediam-se as retrospectivas de sua obra (Nova York – 1966; Paris – 1979; Madri – 1982) e, à medida que diminuíam suas aparições públicas, a polêmica dava lugar à renovação do interesse de sua pintura.
Em 1974, foi inaugurado em Figueres o Museu Dalí. Oito anos depois, em Port Lligat, na madrugada de 10 de junho de 1982, morreu Gala, fato que incidiu negativamente sobre sua atividade artística.
Mudou-se de Figueras para o castelo em Pubol, que comprara para Gala. Em 1984, deflagrou um incêndio no seu quarto em circunstâncias pouco claras, sendo Dalí salvo e levado para Figueres, onde um grupo de amigos, patronos e artistas se assegurou de que o pintor vivesse confortavelmente os seus últimos anos no teatro-museu.

Em 23 de janeiro de 1989, aos 84 anos, morreu Salvador Dalí, de insuficiência cardíaca na mesma Figueres natal, deixando uma farta e importante obra  no cenário artístico mundial para apreciadores e estudiosos do gênero.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Empresa Folha da Manhã S.A., 1996
Encarte das edições de domingo da Folha de S. Paulo de março a dezembro de 1996.

Grande Enciclopédia Barsa – 3ª ed. – São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2004

ERIK HOMBURGER ERIKSON – VIDA E OBRA – BREVE HISTÓRICO

"O fato da consciência humana permanecer parcialmente infantil por toda a vida é o âmago da tragédia humana."


Os estudos e ensaios do psicanalista Erik Erikson não só influíram sobre a prática terapêutica e propiciaram maior entendimento de problemas psicossociais, como foram determinantes na expansão do campo de interesse da psicanálise.
Em 15 de julho de 1902, em Frankfurt-sobre-o-Meno, Alemanha, no seio de uma família judia, nasceu Erik Erikson. Filho de pai desconhecido recebeu o nome de seu padrasto e saiu cedo pelo mundo, em busca de sua identidade, tendo sofrido preconceitos pelo fato de ser judeu.
Começou sua vida como artista plástico e a viajar pela Europa.
Estudou na Sociedade Psicanalítica de Viena, na Áustria, sendo analisado por Anna Freud, filha de Sigmund Freud.
Em 1933, Erikson emigrou para os Estados Unidos e naturalizou-se americano,estudou principalmente Antropologia, atuou junto a tribos indígenas e se tornou um notável professor de Desenvolvimento Humano na Universidade de Harvard, postulando que é muito importante dispor de uma teoria do desenvolvimento humano que busque aproximar os fenômenos, descobrindo desde cedo e até onde eles se desenvolvem.
No início da carreira, o interesse de Erikson esteve voltado para o tratamento de crianças. Em 1936 transferiu-se para um centro de estudos de relações humanas e começou a estudar a influência de fatores culturais no desenvolvimento psicológico. Com base nessas pesquisas formulou a teoria segundo a qual as sociedades criam mecanismos institucionais que propiciam e enquadram o desenvolvimento da personalidade, embora as soluções específicas para problemas similares variem de cultura para cultura.
Nos anos 1940, cocebeu o modelo que expôs em Childhood and Society ( 1950 – Infância e sociedade ), de acordo com o qual o desenvolvimento psicológico do indivíduo, estendendo-se por toda a vida, comportaria oito estágios. A passagem a cada novo estágio dependeria da superação e internalização das crises pessoais. Erikson publicou livros sobre Martinho Lutero, Gandhi e Adolf Hitler, escreveu ensaios em que relaciona psicanálise a história, política, filisofia e teologia como   Life History and the Historical Moment      ( 1975 – A história da vida e o momento histórico ).
Ficou conhecido como criador de novos conceitos – como o ciclo da vida, a identidade e a crise da identidade – que têm facilitado a compreensão da psique humana e de sua relação com a sociedade e a cultura. Seu enfoque das múltiplas influências supera o reducionismo das teses clássicas da Psicanálise freudiana sem rechaçar seus pressupostos teóricos básicos.
Erik Erikson, morreu em 12 de maio de 1994, em Harwich, estado de Massachusetts.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Empresa Folha da Manhã S.A., 1996
Encarte das edições de domingo da Folha de S. Paulo de março a dezembro de 1996.

Grande Enciclopédia Barsa – 3ª ed. – São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2004

terça-feira, 25 de maio de 2010

JEAN WILLIAM FRITZ PIAGET – VIDA E OBRA BREVE HISTÓRICO

"A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe."


Matemático, biólogo, filósofo, psicólogo, pedagogo e responsável pela mais abrangente teoria sobre o desenvolvimento intelectual, Jean Piaget, nasceu em Neuchârel, Suíça, em 9 de agosto de 1896.
Aos 11 anos de idade, publicou seu primeiro artigo sobre a observação de um pardal albino: Um Gorrión Blanco, marcando desde cedo suas primeiras impressões sobre o mundo da Biologia.
Aos 15 anos era conhecido dos zoólogos europeus por ensaios sobre moluscos.
Em 1918, Piaget, doutorou-se em ciências, pela Universidade de Neuchâtel, e por ser filho de uma mãe de fortes convicções religiosas e de um pai historiador e cético, o jovem Piaget, decidiu dedicar-se à filosofia, preocupado em “conciliar a fé e a ciência ou razão”.
Logo depois, interessou-se por psicologia e epistemologia e foi para Zurique, onde estudou com o Psiquiatra Suíço Carl Gustav Jung e estagiou na clínica psiquiátrica do tamém psiquiatra suiço, Eugen Bleuler.
Em 1919, Piaget dirigiu-se a Paris em busca de mais conhecimentos, estudou por dois anos na Sorbonne e trabalhou na criação e aplicação de testes de leitura em crianças, onde percebeu regularidades nas respostas erradas das crianças de mesma faixa etária. Esses dados permitiram o lançamento da hipótese de que o pensamento infantil é qualitativamente diferente do pensamento adulto e em 1921, voltou a Suiça , como diretor do Instituto Jean-Jacques Rousseau em Genebra, e preocupado com a teoria do conhecimento publicou : Le langage et la pensée chez l'enfant - (1923: A linguagem e o pensamento na criança), seguido por Le Jugement et la raisonnement chez l'enfant - (1924; O juízo e o raciocínio na criança).
Jean Paiget afirmou a existência de uma série de estágios universais do desenvolvimento intelectual, que vão desde o estágio sensorial e motor na primeira infância, no qual o conhecimento é expresso através da ação, ao estágio formal operacional, que caracteriza a fase adulta, quando torna-se possível o raciocínio acerca de situações hipotéticas.
No ano de 1923, casou-se com Valentine Châtenay, uma de suas ex-alunas. Juntos, tiveram três filhos, cujos desenvolvimentos cognitivos foram minuciosamente estudados pelo pesquisador suíço
Lecionou filosofia na Universidade de Neuchâtel e tornou-se professor de psicologia infantil na Universidade de Genebra em 1929.
Em 1949, Piaget, esteve no Rio de janeiro e recebeu da Universidade do Brasil (posterior Universidade Federal do Rio de Janeiro) o título de doutor honoris causa
Em 1964, foi convidado como consultor chefe de duas conferências na Cornell University e na University of California. Ambas as conferências debatiam possíveis reformas curriculares baseadas nos resultados das pesquisas de Piaget quanto ao desenvolvimento cognitivo.
Em 1979, ele recebeu o Balzean Prize for Political and Social Sciences.
Morreu em Genebra, no dia 19 de setembro de 1980, com 84 anos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Empresa Folha da Manhã S.A., 1996
Encarte das edições de domingo da Folha de S. Paulo de março a dezembro de 1996.

Grande Enciclopédia Barsa – 3ª ed. – São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2004

domingo, 23 de maio de 2010

ARTE E MATEMÁTICA



Arte: latim Ars, significando técnica e/ou habilidade - capacidade ou expressão humana de criação plástica, corporal ou musical, ligada a manifestações de ordem estética, criada por artistas a partir de percepções, emoções e ideias, com o objetivo de estimular instâncias de consciência em um ou mais espectadores, resultando em obras únicas e com significados diversos.

Matemática: grego máthēma (μάθημα): ciência, conhecimento, aprendizagem - ciência das regularidades, do raciocínio lógico e abstrato e que busca uma permanente verdade, examinando padrões abstratos, tanto reais como imaginários, visuais ou mentais e tenta explicar a relação entre eles. A matemática continua em constante modificação e desenvolvimento.

Ao nos deparamos com obras consagradas encontradas em museus, músicas eruditas apresentadas em espetáculos ou monumentos existentes em alguns lugares do mundo, entendemos estar diante da arte, mas a mesma também encontra-se intrinsecamente ligada ao nosso cotidiano manifestando-se através de, trabalhos artesanais, costumes populares, teatro, entre outros e enriquecendo o ensino da Matemática, utilizando de seus elementos e contextos em prol desta ciência.


Artes Visuais:











As artes plásticas, ao longo da história, foram usadas para ilustrar a cultura de um povo, seus temores, suas guerras, suas conquistas, mas também ilustraram “ o belo”, a fartura, as paisagens, o abstrato, etc.
Favorecem um bom trabalho com conteúdos relacionados aos eixos de espaço e forma, e as grandezas e medidas do ensino de Matemática no processo educacional.

Origami: japonês: 折り紙, de oru, "dobrar", e kami, "papel" - é a arte de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la. Arte muito praticada, por diversão ou terapia, ou como estratégia de ensino.

                                                                         
Ilusão de ótica:     
fenômeno conhecido por enganar nosso cérebro, ocorrido quando nos encontramos diante de imagens que podem ser percebidas de formas diferentes do que elas realmente são.

 










Música: grego μουσική τέχνη - musiké téchne, a arte das musas – arte de coordenar fenômenos acústicos para produzir efeitos sonoros. 


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Práticas Educativas do Pensamento Matemático
Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008 - págs 225 -233

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ALFABETIZAÇÃO OU LETRAMENTO?

Enquanto a alfabetização dedica-se ao ensinar/aprender, à leitura e à escrita, o letramento consiste não apenas nestas habilidades, mas ao cultivo de atividades que respondem às demandas sociais de exercício dessas práticas.
A prática pedagógica do aprendizado da leitura e da escrita por meio de cartilhas permeou todo um processo, chamado de ensino tradicional, método centrado no domínio do código e em razão da ausência de outros meios técnicos.
O processo crescente da expansão e da globalização do capital produziu também novos processos de comunicação, de acordo com sua necessidade, denominado pelos estudiosos de letramento, o que nos leva a compreender que o processo educacional de acesso à leitura e à escrita modifica-se e ultrapassa a “tecnologia do ler e escrever”.
No que se refere à alfabetização, como momento inicial do processo educativo do ensino e da aprendizagem, cabe enfatizar que esta etapa caracteriza-se pelo fato do desenvolvimento, juntamente com os conteúdos relativos a textualidade e também aos conteúdos pertinentes à codificação/decodificação.
Compreender o desenvolvimento e as mudanças deste processo pressupõe-se, refletir sobre os determinantes históricos que produziram formas diferenciadas de organização do trabalho pedagógico em momentos diferentes, examinando também os avanços tecnológicos no processo social de comunicação e a interpretação das informações que circulam na intensa rede de relações que se estabeleceu na sociedade, cabendo a escola considerar a importância e a necessidade de fundamentar sua prática pedagógica numa clara concepção desses fenômenos sociais e de suas diferenças e relações.

Referência bibliográfica:
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA ALFABETIZAÇÃO - Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008 - págs 11-13

CURRÍCULO LOCAL E REGIONAL – a educação diante da diversidade sócio-cultural e geográfica.

A educação é um processo de formação, atemporal e vivenciado em qualquer sociedade, geralmente praticado em instituições, que só se torna praticável diante de um comprometimento, histórico, social e cultural de todos os envolvidos direta e indiretamente no mesmo.
Para tal, evidencia-se o currículo como um documento de trabalho em constante construção, que favorece a democratização escolar, devendo sua construção se pautar na procura da igualdade e da diversificação dos percursos de aprendizagem e em prol da complexidade do ambiente escolar.
Amparado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96), artigo 26 (caput): “os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” – o currículo torna-se fundamental quando deixa de ser objeto teórico e limitado e passa a ser praticado com foco nas peculiaridades das regiões e comunidades locais, evidenciando e atuando direta e indiretamente em suas necessidades e respeitando suas características, sendo necessário por vezes descompartimentalizá-lo em prol de resultados mais abrangentes e significativos.
Deste modo, o currículo apóia a intrincada dinâmica pedagógica, diante do também intrincado ambiente institucional, apresenta uma intenção e propõe-se a prática de uma realidade com a finalidade de responder a situações concretas e muitas das vezes emergenciais, uma vez que a escola existe para a sociedade e a construção de um projeto educativo local com a colaboração de todos os atores envolvidos no processo educacional estabelece um contexto amplo, democrático e possível, respondendo aos anseios e desejos da sociedade em geral.

Referência bibliográfica:
Lei de Diretrizes e Basea da Educação Ncacional - LDBEN 9394/96

quarta-feira, 19 de maio de 2010

SIGISMUND SCHLOMO FREUD - VIDA E OBRA BREVE HISTÓRICO

"O pensamento é o ensaio da ação."


Sigmund Freud nasceu em 06 de maio de 1856 , em Freiberb, na Morávia (hoje Příbor, na República Tcheca), Após quatro anos mudou-se com sua família para Viena, onde passou a maior parte de sua vida.
Em 1873, ingressou na Universidade de Viena para estudar medicina e sofreu restrições devido a sua condição de judeu. Após sua formação como médico, e especialização em neurologia em 1881, Freud voltou-se para o estudo da histeria ( origem grega: hystera - suposta condição médica peculiar a mulheres, causada por perturbações no útero)
Dedicou-se à clinica psiquiátrica a partir de 1882 e sentiu as limitações de Viena em relação a possibilidades de aperfeiçoamento.
Em 1885, obteve a finalização de seu mestrado em neuropatia, ganhou bolsa para especialização em Paris, onde estagiou com o médico e cientista francês Jean-Martin Charcot, o “pai da neurologia moderna”, tendo esse encontro, sido fundamental no desenvolvimento de sua obra e chamado sua atenção para as relações existentes entre a histeria e a sexualidade, tese de que nunca abriu mão.
Percebeu que a histeria, poderia ser causada e anulada, bem como também poderia ser dissociada de condições neurológicas com o auxílio da hipnose.
Em 1886, Freud abriu seu primeiro consultório e casou-se com Marta Bernays, com quem teve seis filhos. Apenas Anna, sua filha mais nova, seguiu seus passos na Psicanálise.
Entre 1889 e 1890, Sigmund Freud aperfeiçoou suas técnicas com o hipnotismo, junto aos pesquisadores Ambroise Leibault e Hippolyte Bernheim na cidade de Nancy, França, e em 1891 mudou-se para o famoso endereço em Bergasse 19, 9º Distrito de Viena, local de onde só saiu pouco antes de irromper a Segunda Guerra Mundial.
Em 1900, Freud publicou “A Interpretação dos Sonhos”, obra escrita a partir de suas observações clínicas, sobre a importância dos temas sexuais e concluiu que “as recordações” sexuais dos pacientes constituíam, na verdade, fantasias que remontavam à época da infância, e que representavam os desejos sexuais das crianças.
A Tese da sexualidade infantil, apresentada nos “Três ensaios sobre a sexualidade” (1905), tornou-se central no pensamento freudiano sobre normalidade e anormalidade do desenvolvimento psicossocial.
A teoria freudiana alcançou grande popularidade nos anos 40-50 e foi assimilada por muitos estudiosos das áreas de psicologia e ciências sociais.
Dentre suas obras, destacam-se, além das já citadas: Totem und Tabu ( 1913; Totem e Tabu) , examina os problemas da antropologia social à luz da psicanálise, Das Unbehagen in der Kultur (1930; O mal-estar da civilização) expõe toda uma teoria sobre a evolução social da humanidade e Der Mann Moses and die Monotheistiche Religion ( 1939;  Moisés e o Monoteísmo), seu último livro, escrito aos 83 anos.
É preciso considerar que alguns fatos ocorridos no século XX abalaram a vida de Freud e o levaram a interromper seu trabalho por um determinado tempo: a morte de sua filha predileta, Sophie em 1920 seguida da morte de seu neto, filho de Sophie, e em 1923  o diagnóstico de um câncer em seu maxilar superior, que o levou a várias cirurgias.
A ascensão do nazismo e as crescentes perseguições aos judeus atingiram Freud, o que acarretou sua mudança para Londres, onde morreu, em 23 de setembro de 1939.
Durante esse período, trabalhava em colaboração com sua filha Anna, na redação de uma obra dedicada à análise da personalidade de Adolf  Hitler.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Empresa Folha da Manhã S.A., 1996
Encarte das edições de domingo da Folha de S. Paulo de março a dezembro de 1996.

Grande Enciclopédia Barsa – 3ª ed. – São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2004

terça-feira, 18 de maio de 2010

POLÍTICA CURRICULAR BRASILEIRA – ENSINO FUNDAMENTAL

Política normatizada pela reestruturação da LDBEN 9394/96 - em vigência, pelas Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN’s (CEB 2/98) e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s.

DCN’s para o Ensino Fundamental:

• genéricas e buscam atestar mais uma formulação de princípios de natureza política e pedagógica que propriamente asseguram uma configuração estrutural para o ensino.
• mantêm os mesmos princípios indicados para a Educação Infantil na elaboração da proposta pedagógica, tais como: ética, autonomia, responsabilidade, respeito ao bem comum, deveres e direitos da cidadania, criticidade, respeito a democracia e pelos princípios da sensibilidade, criatividade, ludicidade, e diversidade artística e cultural.
• concebe uma Base Nacional Comum (compulsória), que deve preponderar substancialmente sobre a Parte Diversificada (Parecer CEB 4/98) e que compreende as seguintes áreas de conhecimento: língua portuguesa, língua materna (indígenas e migrantes), matemática, conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, artes, educação física, educação religiosa ( art. 33 – LDBEN 9394/96 – destacando a proibição de quaisquer formas de proselitismo) e aspectos da vida cidadã: a saúde, a sexualidade, a vida familiar e social, o trabalho, a cultura e as linguagens, o meio ambiente, a ciência e a tecnologia,

PCN’s ( anos iniciais do Ensino Fundamental)

• responsabilidade de elaboração: Estados da Federação.
• proposta justificada em prol da situação do Ensino Fundamental, cujo quadro é descrito com base em dados estatísticos sobre a oferta de vagas no país por regiões, número médio de anos de estudo, dados sobre a promoção, repetência, evasão, desempenho do sistema e formação de professores.
• nos vários níveis de concretização curricular são considerados os seguintes aspectos: formação de cidadania, propostas curriculares dos estados e municípios, propostas curriculares de cada instituição e a interação professor-aluno em sala de aula.
• princípio norteador: gestão democrática da escola enquanto construção coletiva permanente.
• fundamentos psicológicos: “aprender e ensinar, construir e interagir”.

A organização do trabalho na escola.

Vista como construção coletiva e permanente, a escola deve pautar-se pela autonomia, pelo trabalho coletivo e pela construção de seu projeto pedagógico.

A organização por ciclos.

A proposta adota a organização do currículo por ciclos, áreas de conhecimento e temas transversais, baseada na flexibilidade de tempo e nos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos o que assegura a continuidade do processo educativo, dentro do ciclo e na passagem de um ciclo ao outro.

Áreas de Conhecimento:

Concepção que evidencia a natureza dos conteúdos tratados. Define claramente o corpo de conhecimentos e o objeto da aprendizagem.

Temas Transversais:

Temas que se explicitam na organização dos conteúdos das áreas, mas a discussão, conceitualização e a forma de tratamento que devem receber no todo da ação educativa escolar está especificada em textos de fundamentação por tema. Os objetivos a serem alcançados no ensino das áreas e temas transversais se definem em termos de capacidade cognitiva, física, afetiva e nas relações interpessoal e de inserção social, ética e estética.

Classificação dos conteúdos:

São abordados nos PCN’s em três grandes categorias:

Conteúdos Conceituais – “saber”

Referem-se à construção ativa das capacidades intelectuais para operar com, fatos, símbolos, nomes, idéias, dados, imagens e representações que permitem organizar a realidade

Conteúdos Procedimentais – “saber fazer”

Expressam o saber fazer, envolvendo a tomada de decisões e a realização de uma série de ações, de forma ordenada para atingir uma meta, ou seja ações direcionadas à realização de um objetivo

Conteúdos Atitudinais: “ser”

Referem-se aos valores, normas e atitudes, sendo que a aprendizagem desses aspectos, permeiam todo o conhecimento escolar. São conteúdos que encontram-se arraigados às relações afetivas e de convivência, que de forma alguma podem ser negligenciados pela escola uma vez que os mesmos tem uma grande relevância para a formação dos estudantes.

Considerações dos PCN’s sobre a avaliação:

A concepção de avaliação envolve um conjunto de atuações que têm a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção pedagógica e de subsidiar o professor , com elementos para uma reflexão contínua sobre sua prática e deve ocorrer durante todo o processo de ensino e aprendizagem, não devendo se restringir ao julgamento de sucessos ou fracassos dos estudantes

Orientações didáticas:

Enfocam fundamentalmente a intervenção do professor na criação de situações de aprendizagem dos alunos. Os alunos constroem significados a partir de múltiplas e complexas interações, sendo eles mesmos, sujeitos de seu processo de aprendizagem, enquanto o professor atua como mediador na interação dos alunos com os objetos de conhecimento. O processo de aprendizagem compreende também a interação dos alunos entre si, essencial à socialização.

Referências bibliográficas:
ESCOLA E CURRÍCULO - SOUZA, Rosa Fátima de, Curitiba: IESDE, 2006. págs. 111-116
LDBEN 9394/96

sábado, 15 de maio de 2010

POLÍTICA CURRICULAR BRASILEIRA - EDUCAÇÃO BÁSICA

Repercutindo diretamente na prática pedagógica a política curricular, além de estabelecer orientações metodológicas, direcionam a produção de material editorial didático que efetivamente orientam professores no desenvolvimento do currículo, tornando-se relevante o conhecimento do processo de concretização dos mesmos:

LDB – Lei 4024/61 – citada pela 1ª vez na Constituição de 1934, contemplou a questão curricular superficialmente.

LDB – Lei 5692/71 – consagra inovações do tipo pluricurricular permitidas pela lei anterior, articula conhecimentos gerais à formação para o trabalho, caracterizando a terminalidade no ensino secundário, fixa um núcleo comum obrigatório nacional e uma parte diversificada, cujas finalidades eram atender as peculiaridades locais, os planos dos estabelecimentos de ensino e a subjetividade dos alunos.

LDBEN 9394/96 – vigente, reestruturada pelo professor e antropólogo Darcy Ribeiro, no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso e baseia-se em dois princípios norteadores: idéias de liberdade e flexibilidade.
A Lei mantém a centralização do currículo, estabelecendo de forma incisiva um vínculo com a Educação Infantil, além de atrelar o ensino ás exigências de cidadania para o currículo do Ensino Fundamental, determinando a ampliação do mesmo para 9 anos e estrutura-o da seguinte forma:
Base nacional comum - o estudo da Língua Portuguesa e matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política do Brasil, o ensino da arte, a Educação Física com prática facultativa ao ensino noturno, o ensino religioso, vedando todas as formas de proselitismo
Parte diversificada - inclui obrigatoriamente a partir do 6ª ano/9 a inclusão de pelo menos uma língua estrangeira moderna, de acordo com a comunidade escolar.

Garante ensino bilíngue e intercultural para as comunidades indígenas, objetivando a recuperação de suas memórias históricas, a reafirmação de suas identidades étnicas, e a valorização de suas línguas e ciências e garante o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos. 

Em relação a organização do ensino, a LDBEN 9394/96, permite que os estabelecimentos de ensino se organizem, em séries, ciclos, grupos não seriados, além de possibilitar a classificação e reclassificação de alunos e a adequação dos calendários às peculiaridades locais e regionais

Para a avaliação a lei indica, cinco critérios para as duas últimas etapas da educação básica, com profundas implicações para o sittema de ensino.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LDBEN 9394/96
ESCOLA E CURRÍCULO - SOUZA, Rosa Fátima de, - Curitiba: IESDE, 2006 - pág. 47-54

SUPERVISÃO EDUCACIONAL : um olhar necessário

Escolas caracterizam-se estabelecimentos públicos ou privados onde se ministra ensino coletivo, são instituições sociais e tem como características essenciais: exterioridade, objetividade, coercitividade, autonomia moral e historicidade e pode-se dizer que escolas e famílias são as responsáveis pela introdução de crianças e adolescentes no mundo dos adultos. 

As mesmas mudam constantemente, isto é, não são instituições estáticas e segundo teóricos, é preciso  repensar sobre a dinâmica de seu funcionamento, uma vez que vai se consolidando o conceito de desenvolvimento institucional a uma série de ações que envolvem basicamente, planejamento, acompanhamento e avaliação.

Diante desse desafio e do processo pedagógico em curso na sociedade mundial, a supervisão educacional passa a ser fundamental no amparo à gestão escolar, sem perder de vista as questões eminentemente pedagógicas, traduzindo e fazendo a transposição entre a teoria e prática institucional.

Etimologicamente, supervisão significa “visão sobre”, o que nos remete ao olhar claro e atento do supervisor escolar sobre o processo de ensino aprendizagem, efetivando o planejamento através da contemplação do currículo escolar, garantindo a antecipação de conhecimentos e atuando na formação contínua dos professores e estudantes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

OLIVEIRA, Eloiza da Silva Gomes de, Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008
pag 31-36

quinta-feira, 13 de maio de 2010

OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO – A CONTRIBUIÇÃO DE DELORS


Baseados no relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenado pelo economista e político francês Jacques Delors, “ os quatro pilares da Educação” são conceitos de fundamento da educação que direcionam a organização da mesma em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento.

Aprender a Conhecer

Esta aprendizagem refere-se à aquisição do domínio dos próprios instrumentos do conhecimento, podendo ser considerado simultaneamente como um meio e uma finalidade da vida humana. Ampara-se no raciocínio lógico, na compreensão, na dedução e na memória ou seja, debruça-se sobre a cognição favorecendo a construção de conhecimentos teóricos.

Aprender a Fazer

Aprender a conhecer e aprender a fazer são, em larga medida indissociáveis, uma vez que o segundo orienta o aluno a colocar em prática os seus conhecimentos teóricos. Diz respeito a formação técnico-profissional.
Outro foco de grande relevância desta aprendizagem é a comunicação. É fundamental que saibamos comunicar, não apenas para reter e transmitir informações mas também para interpretá-las e selecioná-las, pois diante da contemporaneidade e globalização, somos cotidianamente expostos a uma gama de informações, muitas das vezes contraditórias que precisam ser filtradas de forma coerente. 

Aprender a viver com os outros

Aprendizagem que atua no campo dos valores e atitudes e representa hoje em dia um dos maiores desafios para a Educação, que tem por missão, a propagação de conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e a conscientização sobre as semelhanças e interdependência existente entre todos os povos.
O domínio desta aprendizagem, consiste em cuidados especiais, merecendo dos educadores diante da ação pedagógica um trabalho voltado para a paz, a tolerância a compreensão e o combate aos conflitos e preconceitos.

Aprender a ser

Este tipo de aprendizagem depende diretamente dos outros três, contribuindo com a consolidação do desenvolvimento integral da pessoa, no que diz respeito ao espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal e espiritualidade, em prol de sua capacidade de relacionar-se, comunicar-se e evoluir de forma consciente e pró-ativa na sociedade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

TENDÊNCIAS DO PLANEJAMENTO EDUCACIONAL

O planejamento da atuação docente, junto ao processo de ensino e aprendizagem, dirigido por uma ação pedagógica crítica e transformadora, dará ao professor maior segurança na sua prática educativa para atender às demandas que ocorrem na sala de aula, e no espaço escolar em geral e encontra-se embasado nas seguintes vertentes:

Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) - orientados pelo MEC, justificam e fundamentam as opções feitas para a elaboração dos documentos de áreas de conhecimento e Temas Transversais, estabelecem uma referência ao plano curricular nacional, subsidiando a formulação do projeto educativo.dos estabelecimentos de ensino e principalmente aos professores, servindo de eixo norteador na elaboração e reelaboração dos currículos para os diferentes níveis de ensino no país

Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN’s) - construídas a partir do relacionamento entre os níveis de ensino, das áreas de conhecimento e dos aspectos da vida cidadã, tem como pano de fundo os princípios e fins da Educação Nacional, propondo uma direção  mais duradoura, uma vez que encontram-se mais próximas da ação pedagógica amparando as instituições de ensino brasileiras em sua organização, articulação, desenvolvimento e avaliação de suas propostas pedagógicas.

Projeto Político–pedagógico - diretriz orientadora das ações educativas na escola, devendo ser construído democraticamente por todos os envolvidos no espaço escolar, expressando as concepções de homem, sociedade, Educação, conhecimento, escola, dentre outras.

Regimento escolar - instrumento formal e legal que regula a organização e o funcionamento da instituição quanto aos aspectos pedagógicos, com base na legislação educacional vigente.

Planos de estudo - muitas das vezes vêm prontos das secretarias, podendo dentro do atual paradigma (LDBEN 9394/96), a escola pensar em seu próprio plano, adequando-o às necessidades de seus alunos e à realidade histórico-social, na qual está inserida.

Plano de trabalho - construído pelo professor, cabendo a ele planejar a sua ação docente, partindo dos objetivos propostos no planejamento da escola.

Plano de aula - consiste no detalhamento da proposta do professor para uma aula ou um conjunto de aulas e deve estar necessariamente articulado a seu plano de trabalho, tornando instrumento orientador de seu cotidiano.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

DIDÁTICA: ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO - SCHEIBEL, Maria Fani , MAIA, Christiane Martinatti - Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008 - págs 85-94 

HENRI PAUL HYACINTHE WALLON - VIDA E OBRA - BREVE HISTÓRICO

"O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna."


Nascido em 1879, tem o decorrer de sua vida marcado pela intensa atividade acadêmica e política e um forte interesse e comprometimento com a educação.
Henri Wallon, cursou a Escola Normal Superior em 1899, onde já se preocupava com questões políticas e públicas, tendo se tornado professor de Filosofia em 1903.
Em 1908, formou-se Médico, e atuou em hospitais psiquiátricos, buscando entender a organização biológica do homem, onde optou pela união da Medicina com a Psicologia, a Neurologia, a Filosofia e também a Educação.
Foi preso por duas vezes: em 1908, por contestar a violência do estado contra plantadores de uvas que reivindicavam seus direitos e em 1983 por apoiar o movimento dos trabalhadores, junto a outros democratas.
Após estudar o caso de um soldado, vítima da guerra, que após seu regresso para casa apresentava crises de pânico, Wallon escreveu o livro “As origens do caráter na criança”, que abordava o comportamento emocional das pessoas recém-nascidas até a fase adulta.
Wallon foi um importante ativista marxista, e filiou-se ao partido socialista em 1931.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi perseguido pela Gestapo, precisando viver na clandestinidade.
Esteve no Brasil em 1935, tendo como cicerone o sociólogo Gilberto Freyre
Na década de 40, Wallon também foi eleito deputado no Parlamento francês, tendo realizado neste período a maior parte de sua produção acadêmica e apresentado obras com uma linguagem do materialismo histórico, com mescla de sua análise política e linguagem médica para a interpretação das relações sociais e emocionais dos sujeitos e concebia o homem como um ser “biologicamente social”
Escreveu diversos artigos voltados para a formação do professor e a análise das interações em sala de aula e após a segunda Guerra Mundial, como integrante de uma comissão nomeada pelo Ministério da Educação Nacional da França, redigiu juntamente com o físico Langenvin, o famoso: “Projeto Langenvin-Wallon”, que apresentava uma proposta de reforma de todo o sistema educacional francês, cujas idéias também estão expostas no livro “Psicologia e pedagogia”.
O Plano Langenvin-Wallon propunha uma formação integral para as professoras que desejassem atuar no magistério e lhes previa bolsas de estudo, tentado assim democratizar a educação para favorecer ao máximo as potencialidades dos sujeitos e investimentos na educação.
Wallon faleceu em 1962, aos 83 anos, em Paris.

O desenvolvimento da consciência

Henri Wallon define o desenvolvimento psíquico como um processo assistemático e contínuo em que a criança oscila entre a afetividade e a consciência, envolvendo fatores tais como: ritmos variados, alterações marcadas por conflitos e instabilidades, indicando que ao longo do processo de desenvolvimento os aspectos emocionais e cognitivos se alternam, mas não trabalham de forma isolada, ou seja o desenvolvimento torna-se-ia sinônimo de identificar-se em oposição ao mundo exterior.
O desenvolvimento da consciência ocorreria, para Wallon, por uma sucessão de estágios que seguiriam um conjunto de determinações provenientes do próprio sujeito e de seu meio.

Estágio impulsivo-emocional (do nascimento a 1 ano) - predominantemente afetivo, dividido em dois momentos:
impulsividade motora (0 a 3 meses) – predomínio da necessidade de exploração do próprio corpo. O bebê é guiado por funções fisiológicas: respiração, alimentação e sono, não sendo capaz de diferenciar-se no ambiente e possui uma relação simbiótica muito forte com a mãe.
emocional (3 meses a 1 ano) – experimenta o universo ao seu redor, passando da desordem gestual para às emoções diferenciadas.

Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos) – fase da descoberta do mundo externo, tendo como principais características, o andar e o falar.

 Estágio do personalismo (3 a 6 anos) – período crucial para a formação da personalidade e da auto-consciência, caracterizado por Wallon como a “crise do eu”, e tem como característica a auto-afirmação da criança que opõe-se sistematicamente ao adulto. Em contrapartida, também se verifica uma fase de imitação motora e social.

Estágio categorial (6 a 11 anos) – sucedido por um período de acentuada predominância da inteligência sobre as emoções (cognição), o que permite à criança uma organização mental do mundo físico. Neste período a criança procura entender no plano intelectual, o que é obscuro, confuso e sem distinções. Fase do início da escolarização.

Estágio da puberdade e da adolescência (11 anos em diante) – estágio caracterizadamente afetivo, onde o indivíduo passa por uma série de conflitos internos e externos. Os grandes marcos deste estágio são: a busca de auto-afirmação e o desenvolvimento da sexualidade. Caracterizado também pela capacidade de domínio das categorias abstratas, com a dimensão temporal tomando espaço, possibilitando uma mais abrangente análise de sua autonomia e de sua dependência.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Empresa Folha da Manhã S.A., 1996
Encarte das edições de domingo da Folha de S. Paulo de março a dezembro de 1996.

Grande Enciclopédia Barsa – 3ª ed. – São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2004

domingo, 9 de maio de 2010

UAB oferecerá mestrado a distância – Mestrado EAD

Primeiras vagas serão abertas a partir do primeiro semestre de 2011
A partir de 2011, a UAB (Universidade Aberta do Brasil) passará a oferecer os primeiros programas de pós-graduação stricto sensu a distância. Atualmente, são disponibilizadas vagas em cursos de graduação e especialização. Estão previstas, a princípio, a criação de dois cursos de mestrado profissional: educação infantil e docência em matemática para escola básica. A decisão é um marco na modalidade, já que não existem mestrados a distância no Brasil. A novidade, divulgada com exclusividade ao Universia por Celso José da Costa, coordenador-geral do sistema, integrará o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica do MEC (Ministério da Educação).
“Com a maturidade do programa, essa expansão é mais do que necessária. Até porque a capacitação dos professores da rede pública de ensino não se limita à graduação e a especialização”, explica Costa, que acrescenta a importância da UAB no processo de formação continuada dos educadores brasileiros. “Aqueles que já concluíram a graduação terão a oportunidade de continuar a estudar e se aperfeiçoar”, justifica. De acordo com o coordenador-geral, os programas ainda estão em fase de desenvolvimento e comissões especializadas se reunirão ao longo do ano para definir tanto o plano pedagógico, como o administrativo. “O edital de seleção de propostas será lançado ainda esse ano”, garante ele, que prevê a abertura das primeiras vagas no primeiro semestre de 2011.
O potencial da iniciativa é reconhecido por Paulo Monteiro Vieira Braga Barone, presidente da Câmara de Educação Superior – órgão vinculado ao Conselho Nacional de Educação. Na opinião dele, os programas de pós-graduação stricto sensu influenciarão a formação dos professores brasileiros. “A docência é muito mais ligada à concepção, do que a evidência. Daí a importância de garantir o contato de nossos profissionais à vivência em investigação”, ressalta ele. “Portanto, espera-se que essa oportunidade influencie muito mais gente, tanto no trabalho quanto nos processos formativos”, acrescenta ele.
Ao mesmo tempo em que o programa contribuirá com a formação dos docentes, promete viabilizar mudanças na rede pública de Ensino Básico no País. É o que acredita Klaus Schlünzen Junior, coordenador do Núcleo de Educação a Distância da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). “A própria característica do mestrado profissional viabilizará esses dois processos. Até porque, o programa alia formação teórica às necessidades do próprio mercado. Ou seja, os estudantes serão mobilizados a desenvolver trabalhos de investigação relacionados ao sistema educacional brasileiro com a identificação de soluções para problemas reais”, explica ele.
Além disso, a modalidade a distância permitirá o aumento do contato de professores com os programas de pós-graduação stricto-sensu. “A formação superará barreiras geográficas. E mais, permitirá uma riqueza cultural ainda maior ao curso”, acredita Schlünzen Junior.
Garantia de qualidade
Apesar do potencial, o sucesso dos novos programas da UAB vai depender das estruturas adotadas. “Hoje a preocupação frequente na implementação de qualquer curso, seja ele presencial ou a distância, é a qualidade”, enfatiza Barone. Fator que, segundo ele, é ainda mais relevante em iniciativas pioneiras. “Ainda que a legislação brasileira possibilite a criação de cursos de pós-graduação stricto sensu a distância, não há programas com essas características no País”, afirma ele.
Barone acredita que o preconceito com relação à modalidade também gera uma maior desconfiança no processo de formação, sobretudo em mestrados e doutorados. “As experiências recentes, porém, comprovam que os processos bem planejados podem formar bons profissionais. Há inclusive graduados pelo sistema que garantiram os primeiros lugares em concursos públicos”, declara o presidente da Câmara de Educação Superior, que acredita na repetição da tendência nos cursos strictos sensu da UAB. “Mas até que os resultados sejam conquistados nessa nova proposta, o esforço com a qualidade será o principal atrativo”, diz Barone.
A garantia da qualidade, na opinião de Barone, está na interação entre corpo docente e discente. Ele aponta ainda a importância dos programas respeitarem os princípios dos próprios cursos presenciais. “A gestão do mestrado a distância precisa ser muito bem pensada para que a formação dos profissionais não seja deturpada e garantam os mesmos resultados dos programas presenciais”, defende ele.
Para preservar a excelência da formação das pós-graduações das instituições de Ensino Superior públicas, Costa garante a adoção dos mesmos procedimentos adotados pelos cursos presenciais. “Os pré-requisitos exigidos pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) também deverão ser respeitados”, resume o coordenador-geral da UAB.
Mesmo sendo a distância, Barone ressalta ainda a necessidade de dedicação por parte dos estudantes. “Para possibilitar isso, será obrigatória a oferta de bolsas. Até porque, a dedicação à pesquisa, mesmo que na modalidade a distância, é essencial para a realização de pesquisas”, afirma ele. A real necessidade de auxílios, porém, já está nos planos do sistema UAB. “Pela primeira vez, o governo oferecerá bolsas na modalidade mestrado profissional”, assegura Costa. Ele garante já ter o aval tanto da Capes como do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para isso.
Muito mais do que oferecer cursos de pós-graduação stricto sensu, a UAB servirá de base na implementação de novos programas. “A iniciativa passará a servir de exemplo e de incentivo para as instituições de ensino, tanto privadas como públicas”, afirma Schlünzen Junior. Ele relaciona essa responsabilidade à importância da construção de uma estrutura sólida para os novos programas de pós-graduação.

Jogos, brincadeiras e a aprendizagem

“Quando brinca, a criança assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois sua interação com o objeto não depene da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui”
Jean Piaget

Os jogos e brincadeiras ocupam um importante espaço na Educação e sempre causaram muita discussão quanto á sua definição e sua prática.
Buscando um esclarecimento mais abrangente acerca do ato de jogar e de brincar, as atividades lúdicas sempre estiveram ligadas a atividades fundamentais na formação dos jovens e crianças e facilitam relacionamentos e vivências dentro da sala de aula.
O caráter de integração e interação contido nessas atividades faz com que a Educação Infantil e o Ensino Fundamental as utilizem constantemente como fator facilitador na construção do conhecimento.
Brincar, jogar, relacionar, viver, simular, imaginar, são fatores que imprimem magia ao processo ensino aprendizagem, podendo ser vivenciados de forma coletiva e individual.
Pesquisas científicas sobre o tema, só começaram no século XIX, partindo de pesquisas evolucionistas e desenvolvimentistas, defendendo a idéia de que o jogo infantil recapitula toda a história do pensamento humano, o que mais adiante foi enfatizado como modo de preservação dos costumes infantis.
Respeitar limites, socializar, criar e explorar a criatividade, interagir e aprender a pesquisar são objetivos cognitivos esperados e muito importantes seja no processo educacional formal ou informal e alcançáveis com maior facilidade, através da prática dos jogos e brincadeiras uma vez que os mesmos promovem um encantamento inigualável para as crianças que não se contentam em ser apenas espectadores sociais, mas procuram desde cedo seu lugar de agentes socializadores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
HAETINGER, Max Gunther, HETINGER, Daniela, 2ª ed.
Curitiba: IESDE Brasil S.A. , 2008

EDUCAÇÃO INFANTIL - o cotidiano na pré-escola e os indicadores de qualidade

Há muito se discute a questão da rotina e a função que a mesma exerce sobre o desenvolvimento infantil. Considera-se na creche/pré-escola, a sequência de momentos em que as crianças interagem com pessoas e objetos e a possibilidade em que elas cuidam de seu corpo e ampliam seus conhecimentos.
Sugere-se dividir as atividades realizadas na instituição em quatro grupos: organização coletiva, atividades de cuidado pessoal, atividades dirigidas e atividades livres.
O primeiro grupo se refere aos momentos de atividades organizadas coletivamente pelas turmas de crianças. Deve-se destacar que as crianças menores necessitam de maior atenção dos adultos para tomarem parte das atividades de modo satisfatório.
As atividades de cuidado pessoal aludem ao cuidar de si. Preocupar com o cuidado pessoal, com a saúde e com a higiene são fundamentais para o bem estar físico, psicológico e social das crianças.
O grupo das atividades dirigidas é entendido como aquele em que o professor procura chamar a atenção para algum elemento novo do ambiente, como uma figura, uma brincadeira com som, entre outros.
Acredita-se que as atividades livres devem fazer parte da programação diária de todos os grupos de crianças e que cabe ao professor respeitar as ideias que partem das mesmas.
Mas estes são apenas alguns gestos. A criança na creche/pré-escola integra-se à rotina da mesma, junto com os seus pares, em harmonia, mas não em sincronismo, cada um deve ser reconhecido como único, dotado daquilo que lhe torna um sujeito sócio-cultural.

INDICADORES DE QUALIDADE

Reveladores de qualidade que determinam aspectos dos serviços de uma Instituição Infantil e permitem a análise do nível de qualidade da mesma, servindo como parâmetros para o planejamento e intervenção, podem ser apontados como:
acessibilidade e utilização dos serviços: indica o nível de atendimento da demanda de creches na quantidade e localização exigidas pela sociedade, uma vez que o acesso a elas é um direito constitucional de toda criança.
ambiente físico: considera vários aspetos: luminosidade e arejamento, estética, segurança, adequação e funcionalidade dos ambientes de serviço e aspectos da promoção da saúde infantil.
atividades de aprendizagem: precisam reconhecer o valor e a importância de uma programação educativa, sendo fundamental que na elaboração da proposta pedagógica seja contemplado: atenção especial a criança, critérios adequados para a escolha de instrumentos da ação educativa, dos projetos a serem desenvolvidos, dos jogos e materiais lúdicos/didáticos e também das relações interpessoais.
sistemas de relações: precisam atuar e demonstrar que a criança, desde bem pequena, é capaz de estabelecer relações com o ambiente em que vive ou com as pessoas, com os objetos e  eventos.
ponto de vista dos pais (ou responsáveis): relação complexa, que envolve expectativas, atribuições, interpretações que nem sempre são explicitadas.
comunidade: ambiente de inserção da creche que requer a articulação no bairro com as demais instituições/oportunidades/serviços públicos ou privados, de caráter social ou comercial.
avaliação da diversidade: precisam ser conhecidas para serem compreendidas e devidamente trabalhadas.
avaliação das crianças: a avaliação é o ato de conhecimento e de reconhecimento de valores e tem como base a subjetividade, devendo ser formativa e sem o objetivo de promoção.
relação custo/benefício: precisa ser visto de forma mais ampla, qualitativa mesmo, e não utilizando tabelas econômico/financeiras, de receitas e despesas.
valores éticos: constituem junto à organização e a gestão da creche/pré-escola pontos de equilíbrio de todos os indicadores de qualidade, uma vez que quanto maior for a coerência entre programação, organização dos serviços e os valores definidos, mais fácil será alcançar bons níveis de qualidade.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL - SEBASTIANI - Curitiba: IESDE Brasil S.A. , 2008 - págs: 17-20